
A batalha de Stalingrado travada entre 19 agosto de 1942 e 2 de fevereiro de 1943 pelos exércitos alemães que invadiram a URSS em 1941 e as forças soviéticas, foi uma das maiores e mais violentas de todos os tempos. Saiba mais sobre esse fatídico fato da história mundial e confira uma réplica da batalha em miniatura, criada com uma incrível riqueza de detalhes.

O número de soldados, tanques, aviões , munições e alimentos que nela se consumiram foi gigantesco. Estima-se que mais de dois milhões de homens e mulheres, de ambos os lados, participaram da refrega cujo resultado final foi a derrota do exército alemão.

Consideraram-na o divisor de águas da 2ª Guerra Mundial, pois desde a rendição do general Paulus, o supremo comandante alemão aos soviéticos, acertada em 2 de fevereiro de 1943, a Alemanha nazista, obrigada a recuar do solo russo, perdeu para sempre a iniciativa da guerra.

Urano, a personificação do céu para os gregos, era entendido como a abóbada celeste, o que cobria tudo. Este foi o nome escolhido pela Stavka, o estado-maior geral soviético, dirigido por Stalin, para a missão de deter os nazistas: a Operação Urano, marcada para o segundo semestre de 1942.

Seria uma das maiores operações contra-ofensivas da História, visando derrotar os invasores da União Soviética nas beiras do rio Volga. Fazendo juz ao nome escolhido, era uma impressionante manobra na qual todos os elementos da guerra se fariam presentes.

A data marcada para o seu desencadeamento foi o dia 19 de novembro de 1942 (há sessenta anos atrás). Os nazistas, de modo fulminante e arrasador, já estavam há dezesseis meses e meio em terras russas, e, descontando-se o susto que sofreram na frente de Moscou, em dezembro de 1941, ocasião em que o general Zhukov os fez recuar, haviam retomado o élan ofensivo.

Com o fronte central estagnado em Moscou, e o do norte marcando passo em frente a Leningrado (onde a população civil russa sitiada morria de fome em massa), o alto comando alemão alterou suas diretivas, numa linha que atingia 6.200 quilômetros de extensão.

Os objetivos de Hitler – dando seguimento a Operação Barbarossa, a que planejou a invasão da União Soviética – , inclinaram-se, então, para a frente sul, para o baixo Volga e o Cáucaso, atrás de cereais e de petróleo. Intentando seccionar o país dos sovietes em duas partes, ordenou que o poderoso 6º Exército, com uma vanguarda de uns 300 mil homens, liderado pelo general Paulus, se dirigisse para a cidade de Stalingrado.

Com um pouco mais de 800 mil habitantes, espalhada na margem ocidental do rio Volga, ela situava-se eqüidistante de Moscou, no norte, e da Chechênia, ao sul. Era um importante centro de comunicações e dona de um respeitável parque de armamentos.

A meta do Führer – além de provocar um profundo abalo na moral dos comunistas conquistando-lhes a cidade que levava o nome do seu líder – era impedir que os imensos recursos de alimentos e do óleo de Grozny e de Baku, subindo o rio Volga, chegassem à parte industrializada e mais densamente habitada da Rússia.

Sem pão ou gasolina, pensou, a bravura dela não duraria muito. Em Stalingrado travar-se-ia, pois, uma dupla batalha: ideológica e econômica.

Os alemães, vindo de uma parte da Europa densamente habitada, espantaram-se com a solidão e vastidão das estepes. Era um mar plano, sem-fim, onde os girassóis ondulantes rivalizavam com os trigais, entremeados, aqui e acolá, por uma ou outra choupana pobre, habitada pelo mujique russo e os seus.

Sentiam que, ao adentrar naquele vasto e estranho território, a resistência dos soldados soviéticos era cada vez maior. Os Ivans , cercados pelas pinças formadas pelos tanques alemães, relutavam em render-se.

Gritando Za Stalina! , “Por Stalin”, vendiam caro a pele. Os comandantes alemães, entretanto, não imaginavam o que o destino lhes reservava naquela cidade batizada com o nome de Stalin. No dia 23 de agosto de 1942, as primeiras levas de regimentos da Wehrmacht alcançaram as margens do grande rio da Rússia.

O rio Volga, o famoso Volga, pensavam, seria a derradeira trincheira a ser vencida por eles. Como para preparar os habitantes da cidade para o pior, a Luftwaffe, a força área alemã, no comando do general Barão Wolfram von Richthofen (sobrinho do Barão Vermelho, Manfred von Richthofen, ás da aviação alemã na Primeira Guerra Mundial), fez seus aviões, uma leva de Junkers 88, Heinkel III e os terríveis vôos picados das esquadrilha de Stukas, jogarem mil toneladas de bombas sobre eles.

Enquanto isso, assumindo a defesa da cidade, obedecendo ao marechal Yeremenko, o general Chuikov, comandante do 62º exército soviético, um durão com cara de camponês, ordenou aos seus soldados “Todo homem precisa tornar-se uma das pedras da cidade”. E assim foi. A batalha de Stalingrado iria tornar-se tudo o que a infantaria alemã e seus comandantes menos desejavam, uma guerra trava corpo-a-corpo dentro de uma enorme cidade em ruínas.

No dia 12 de setembro de 1942, um dia ainda quente, seis divisões alemãs de infantaria (295ª, 76ª, 71ª, 94ª e 14ª) e uma de panzers(a 24ª), tentaram tomar Stalingrado no primeiro assalto. Inútil.

Apesar de empurrarem os defensores para uma franja de terra à beira do rio, eles não capitularam. Os soviéticos, escavando o solo como se fossem tatus, afirmaram-se nas margens do Volga. Obedecendo a diretiva de Stalin, a Ordem nº 227, que exigia que nenhum passo atrás poderia ser dado pelo soldado russo, eles lutaram com granadas, à tiros e à faca, com o qu estivesse à mão, de rua em rua, de casa em casa, nas ruínas, nos esgotos, nos entulhos, nada era dado de graça.

Os alemães, desgostosos, chamaram aquele tipo de luta de Rattenkrige, a guerra de ratos. Uma das poucas elevações da cidade, a colina de Mamaev Kurgan, foi tomada e retomada umas oito vezes.

Hitler, porém, já contava com a vitória, mandando as rádios alemãs anunciarem o eminente colapso das forças russas. “Eu desejo toma-la”, disse ele, “vocês sabem, nós somos modestos: nós a teremos. Lá somente existem alguns lugares insignificantes.” O mundo, que acompanhava os lances da batalha pelo rádio, prendia a respiração. As duas ideologias extremistas, o comunismo e o nazismo, travavam ali, sentia-se, uma luta de vida e morte.

O conhecido escritor soviético Konstantin Simonov (1915-1979) deixou o seguinte relato sobre o cenário de Stalingrado: “todas as casas da cidade queimavam e durante a noite a fumaça delas se espalhava no horizonte. Dia e noite a terra era sacudida por milhares de bombas e pela barragem da artilharia.

Os destroços provocados pela explosão das bombas espalhavam-se pelas ruas e o ar achava-se tomado pelo silvo dos projéteis, mas em nenhum momento o bombardeio parava. Os que a cercavam tentavam transformar Stalingrado num inferno na terra.

Mas era impossível ficar-se inativo – era preciso lutar, defender a cidade apesar do fogo, da fumaça e o do sangue. Esta era a única maneira que se poderia ficar vivo, era a única maneira que se tinha de viver.”

Foi então que o general Zhukov pegou os alemães na armadilha. Num frio polar (uns 20° abaixo de zero), às 7:30 h da manhã do dia 19 de novembro de 1942, ao som de clarinadas, 14 mil canhões russos que estavam escondidos ao longo do Volga, abriram caminho para a contra-ofensiva de um milhão de soldados soviéticos, alguns deles montados em pôneis siberianos, seguidos por mil tanques e 1.350 aviões.

Forças essas que cuidadosamente foram agrupadas na retaguarda soviética, sem que os alemãs percebessem a enormidade da operação que desabaria sobre suas tropas. Surpreendendo os flancos dos invasores, ocupados por regimentos romenos, italianos e húngaros, rompendo-os, eles fizeram um circulo de aço ao redor do 6º Exército, garroteando os alemães atolados dentro da cidade. Estimou-se que 290 mil homens tenham ficado dentro do Kessel, isto é , da caldeira, a área cercada pelos diversos exércitos soviéticos.

O marechal Göring, chefe da Luftwaffe, numa total irresponsabilidade, como que desconhecendo as dificuldades do inverno russo, confiara a Hitler que poderia abastecer pelo ar os sitiados com 500 toneladas de suprimento ao dia. Seus cargueiros mal conseguiu lançar 10% do volume prometido. Goebbels, o ministro da propaganda do IIIº Reich, para impressionar o público alemão, difundiu a lenda da Fortaleza de Stalingrado, local mítico onde os bravos soldados do nacional-socialismo lutariam até o último homem.

Oitenta e dois dias depois, a partir do dia 31 de janeiro de 1943, arrastando-se do fundo das covas e dos buracos, uma multidão de mais de cem mil espectros humanos, mendigos esfomeados e enregelados, o que restara do altivo 6º Exército, rendeu-se aos soviéticos. (*) Paulus, a quem o Führer promovera à marechal-de-campo uns tempos antes, assinou a capitulação final em 2 de fevereiro de 1943. Anunciou-se ali o destino da Alemanha nazista. Ao ser comunicado do desastre, Hitler disse a Goebbels: “os deuses da guerra trocaram de lado!” Urano esmagara a Suástica.

(*) As estimativas sobre as perdas alemãs e seus aliados em Stalingrado são divergentes, mas não estão muito longe dos seguintes dados:
1 - cercados: 195 mil alemães, 50 mil hiwis (tropas russas auxiliares) e 5 mil romenos, perfazendo uns 294 mil homens.
2 – os prisioneiros de guerra capturados pelos soviéticos perfazem 111.463 homens, mais 8.928 feridos.(Fonte: Antony Beever – Stalingrado, o cerco fatal, pag.497/8)







Fonte: Educaterra

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